sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Não me digas "vamos naquele restaurante" que será mais um lugar para te esperar. Não inventes deitar na grama no domingo que o sol grudará nos dentes.
Não narres aos ouvidos da cama o que podemos sentir.
Não ponhas trilha no celular, não troques as almofadas, não escolhas as toalhas e os lençóis, controla essa mania de se espalhar por tudo, de botar teu cheiro por dentro de minha boca.
Não abras mais o leite sem romper o lacre, não deixes a gaveta entreaberta, a torneira entreaberta, meus lábios entreaberto. Não reclames do que não fiz, que farei de novo para chamar tua atenção.
Não arrumes minha gola que o vento é mesmo enviesado. Quero te conhecer menos para não sofrer tanto com essa tua ausência.
Mas deveria ter dito isso antes.

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